| Momentos que são meus (e que não abro mão) |
crônicas.
- Não agüento mais, não agüento mais.
Era tudo o que ele conseguia dizer aos dois amigos que o consolava:
- Não esquenta com isso...
- Não vale a pena!
Fora um dia difícil e ele estava cansado. Bastante cansado.
Engoliu o último gole de café e começou a sentir irritação crescendo até pelos seus amigos. Mas não queria brigar.
Em um determinado ponto, virou pra um e questionou ríspido:
- Quanto tempo você deixou de falar com a sua mãe?
Ele baixou os olhos e sussurrou a resposta:
- Um ano.
- E você? – atacou a outra. Quanto tempo você não fala com o seu pai?
Ela mordeu um canto do lábio e respondeu a contragosto:
- Cinco meses. Seis, semana que vem.
- Uau! Tenho certeza que também não valia a pena, disse num tom irônico.
E depois disse ninguém ousou falar mais nada.
[Geralmente se queres que as coisas mudem tens de as mudar, e muitos de nós não queremos assumir a responsabilidade. Por isso não fazemos nada, e arrastamo-nos em situações insatisfatórias, esperando pela magia, que não acontece.] Fay Weldon
Escrito por Elânia Cristina às 00h32
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escritos.
Se eu fizesse uma lista das manias que herdei do meu pai, meu Deus! Seria quase como colocar um sinal de igualdade entre nós dois, porque as doidices vão desde fechar as gavetas pela metade até colocar um copo d’água ao lado da cama antes de dormir. E estamos para papéis como as nuvens estão para o céu! É incrível!
Não sei a razões dele, mas gosto de guardar folhas em branca em apoio ao meio ambiente e pensar que um dia a utilizarei e achar que me será útil o panfleto de locação de serra elétrica.
E hoje, numa tentativa [frustrada] de arrumar cartinhas, documentos, escritos, poemas, estudos e a papelada que se amontoa no meu quarto, caiu em mãos uma dessas conversas de papel, típicas de aulas chatas, sabe? Muito embora não conste o dia exato da conversa, sei que é do ano de 2003, quando fazia o primeiro ano.
Engraçado lembrar dos nossos papos e de quem éramos daquela época; gostoso sentir que por mais que o tempo passe, os amigos permanecem! Olha:
- Elânia: A aula tá chata, bora conversar?
- Marcely: É isso aí, tô pra dormir.
- E: Novidades?
- M: Nada. Ultimamente “tá tudo assim tão diferente. Se lembra quando a gente” tinha sempre uma besteira pra falar? Hahahaha. Pois é, agora tá parado mesmo.
- E: Esse ano foi mó tosco! E essa música é do grande-fabuloso-magnífico Renato Russo!!! (tá, parei)¹.
- M: É bom mesmo! É, foi! Tava a fim de viajar, mas parece que não vai dá rock. A gente podia acampar, né? Não precisa ser na fazenda da Ana Paula, tem o sítio da Liz e o quintal da tua casa!
- E: Seria realmente incrível acampar no quintal de casa, mas o sítio da Liz é uma boa. Se bem que se convidar é foda.
- M: Foda nada. Querida, você é cara-de-pau. E não vem dá uma de Ana Paula³!
- E: Eu? Cara-de-pau? Magina!
- M: Hahahaha. Como a gente faz? Vai perguntando logo se pode acampar na Liz ou você tem uma idéia melhor?
- E: E depois EU sou a cara-de-pau... Tipo, a gente podia insinuar que seria bom acampar, mas não temos onde, blá-blá-blá. Daí a gente se lembra: “ohh Liz, tem o seu sítio!” e vê o que ela fala.
- M: Boa! Acho que a Liz vai topar.
- E: Tá no papo! Ela vai, sim. Bora lá.
Explicações:
¹ A cada dez palavras minhas, sete e meia era “Renato Russo”
² A Paulinha até hoje inventa formalidades entre nós.
³ Desde daquela época já tínhamos a boca suja, tcs tcs tcs!
Golpe em amigos é golpe antigo, hauhuahauhau.
[Os deploráveis modos modernos de hoje serão os “bons velhos tempos” de amanhã.] L.S. McCandless
Escrito por Elânia Cristina às 00h24
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